
O Fim da Rua · 2026 · Ficção científica, Mistério, Thriller
Quando o roteiro entende o próprio gênero
SurpresaPor
Ademar jrCrítico da Casa
Assistido no cinema · sessão em 2026-08-16 · UCI Palladium · Sala 1
Nota da casa × mundo
Poltrona12 (a casa)
3,5/5
TMDb67
Sou muito fã de ficção, especialmente das obras com estética dos anos 80, então o trailer não precisou de muito para me convencer, ainda mais trazendo um elenco ótimo para um filme do gênero survival. A expectativa não estava muito alta, o que acabou sendo ao mesmo tempo positivo e negativo. Positivo porque fui surpreendido por um filme cheio de personalidade, ousado, e cujo roteiro consegue se expressar em tela sem muita interferência do estúdio. Negativo porque o marketing foi fraco, e o estúdio tem em mãos um filme muito bom, que renova a identidade do gênero ao qual se propõe, correndo o risco de sofrer com a falta de divulgação. Ainda assim, acredito que o boca a boca vai dar força.
Acompanhamos uma típica família dos anos 80, e logo no início já recebemos um pouco da individualidade de cada personagem, assim como o lado problemático do sonho americano. Após essa introdução temos o estopim da trama nos entrega a uma ficção que dá o desenrolar do filme, porém para quem sabe a premissa do filme se preocupa por saber que o tema seguinte é batido e falhou assim como foi nos últimos filmes de Jurassic Park. Porém, é aí que o filme mostra que entende o jogo, ele brinca com isso de maneira confortável dentro da história. Não há uma tentativa de recriar o que já existe, mas sim de dar um novo respiro a uma identidade que estava desgastada, e ele acerta, trazendo muitas e variadas referências à cultura do gênero e, ao mesmo tempo, mantendo a seriedade da situação.
A trama sustenta sua ficção sem precisar de muitas explicações, o que contribui para aceitarmos facilmente o “é isso, e agora?”. Com uma pitada de galhofa que logo é silenciada por alguma sequência totalmente oposta, temos um tempero excelente: uma família lutando para sobreviver contra criaturas pré-históricas. Anne Hathaway, como sempre, entrega uma atuação de destaque, interpretando uma personagem que quer contribuir para o crescimento da família em uma época em que isso ainda era mal visto. Ewan McGregor também está muito bem ao representar o marido otimista, mas que tenta carregar sozinho fardos desnecessários.
Acredito que é um filme que flerta com o exagero, mas faz isso de forma pensada. Claro, há problemas de roteiro, mas nada que não seja compensado pela ousadia da obra. Ele consegue se sustentar na galhofa, ser cruel, chocar e arrancar risadas, aquele tipo de filme que, quando você assiste, não consegue se incomodar porque ele resolve qualquer pastelão logo na cena seguinte.
É um filme pelo qual torço muito para que tenha bom desempenho, para que o mercado entenda que o problema não é a ficção nem o orçamento, e sim o roteiro e a direção fraca que muitos estúdios insistem em entregar.
A sala
UCI Palladium · Sala 1
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