
Hope: O Primeiro Impacto · 2026 · Ficção científica, Mistério, Ação
Parece um thriller de Monstro Perfeito
Por
Ademar jrCrítico da Casa
Assistido no cinema · sessão em 2026-10-17
Nota da casa × mundo
Poltrona12 (a casa)
3,5/5
IMDb69
Rotten Tomatoes78
TMDb68
Eu, particularmente, estava com a expectativa muito alta. Tudo o que foi apresentado nos trailers chamava atenção, especialmente por abordar uma temática da qual gosto bastante, thrillers com monstros.
E o que tenho a dizer é que, até aproximadamente a primeira hora de filme, eu estava convencido de que assistiria ao melhor longa do ano. Isso não desmerece o restante da obra, mas Hope parece conter três filmes dentro de um só. Considerando sua duração de quase 2h40min, era de se esperar que o ritmo sofresse em algum momento. No entanto, o tempo passa sem que percebamos.
Preciso tirar o chapéu para a produção. Tudo é extremamente bem realizado, e quando os efeitos práticos entram em cena é impossível não ficar impressionado. Não posso dizer o mesmo do CGI. Acredito que o filme sofre bastante nesse aspecto, porque a história pede uma apresentação mais palpável e realista das criaturas. Em muitos momentos, entretanto, os efeitos digitais lembram algo saído da era do PlayStation 2. Isso se torna ainda mais evidente quando a direção utiliza zooms e câmeras lentas, expondo limitações que acabam causando certa estranheza.
Por isso, sinto que o filme se divide claramente em três partes.
A primeira funciona como um thriller de perseguição envolvendo uma criatura misteriosa. É a fase em que tentamos entender o que está acontecendo, quem ou o que é o monstro e quais são suas motivações. Essa construção é feita com enorme competência. Recebemos informações na mesma medida que o protagonista, quase em conta-gotas. Quando ele não vê algo, nós também não vemos. Esse alinhamento entre personagem e espectador funciona de maneira brilhante.
Então entramos na segunda parte, quando a criatura é finalmente apresentada. Esse momento é fantástico, mas também altera completamente a proposta inicial. A narrativa ganha novas camadas e começamos a perceber que a história não era exatamente aquilo que imaginávamos. Aos poucos, a ansiedade da descoberta vai dando lugar a uma compreensão maior do cenário.
Por fim, chegamos à terceira parte e o final, que acrescenta uma camada narrativa muito mais ambiciosa. Na minha opinião, essa mudança acaba enfraquecendo parte da experiência construída na primeira metade, pois desloca o foco daquilo que inicialmente nos cativou. Em contrapartida, amplia o escopo da trama para algo muito maior do que uma simples história de sobrevivência contra um monstro.
O filme passeia por diversos gêneros: ação, terror, suspense, thriller, drama e até comédia. A comédia, aliás, surge de forma bastante natural e ajuda a tornar os personagens mais humanos, fugindo daquele roteiro excessivamente calculado e previsível. Isso contribui bastante para criarmos afeto por eles.
Após toda essa análise, ainda existem alguns problemas que ficam mais evidentes quando observamos a obra com atenção. A produção e a construção dos cenários são excelentes, mas muitas vezes esses ambientes parecem pouco povoados, causando estranheza inicial. Felizmente, a tensão da narrativa faz com que esse detalhe seja facilmente ignorado.
Além disso, o longa sofre de um problema comum do cinema blockbuster, a famosa "proteção divina" dos protagonistas. Eles são arremessados, esmagados e sobrevivem a situações absurdas com apenas alguns arranhões, enquanto personagens secundários parecem morrer ao menor sinal de perigo.
Dito tudo isso, a experiência continua sendo incrível. Hope é um filme ousado, que não tem vergonha das ideias que apresenta, mesmo quando esbarra em um CGI inconsistente. Ainda assim, ele nos conduz por uma verdadeira montanha-russa de emoções e sabe exatamente como guiar o espectador ao longo da jornada. Como fã de ficção científica, saí do cinema torcendo para que o próximo capítulo consiga ser ainda mais emocionante.
A sala
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