Edição Nº 001Curitiba · Paraná
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Hamnet: A Vida Antes de Hamlet · 2025 · Drama, Romance

Hamnet: um mergulho dolorido na maternidade

Por

Ana LesniowskiCrítico Convidado

Assistido em streaming · Prime Video

Nota da casa × mundo

Poltrona12 (a casa)
TMDb77
IMDb78
Rotten Tomatoes87

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O premiado novo filme da espetacular Chloé Zhao é uma experiência visceral. Arrisco dizer que é um filme que te transforma. Existem inúmeras obras sobre o mestre e sobre as criações do mestre retratadas nas artes, literatura, teatro e cinema. Mas o que sabemos sobre ele, ou melhor, sobre sua família? E Shakespeare seria quem foi se não fosse por tudo o que aconteceu em sua vida? Mas este filme não é sobre o mestre. Este filme é sobre maternidade. É sobre amor. Não o amor romântico dos contos de fadas, mas aquele que existe no real, no cotidiano, atravessado pela rotina, pelas escolhas e pelas renúncias. Pela dor. É sobre um casal cujos papéis são muito bem definidos pela sociedade: a mulher se dedica à casa e aos filhos, enquanto o homem parte em busca de seu sonho. E como uma mulher fora dos padrões impostos, fortemente ligada à natureza, de maneira ancestral (diria até divina), ligada à simplicidade e à liberdade, se adapta àquela realidade inglesa do séc XVII e se dedica tão profundamente à família e aos filhos? Agnes, interpretada por Jessie Buckley, atravessa todas as alegrias e, principalmente, as dores mais profundas do maternar. E atravessa quase tudo sozinha. Existe nela uma entrega aos filhos que beira a servidão, mas que mãe não seria assim diante daquilo que mais ama? O olhar, ternura, dedicação moldam essa personagem. Também não posso minimizar, pelo menos não completamente, o homem dessa relação, o pai dessa família. William, vivido por Paul Mescal, também amou. Também sofreu. E o que fez com todo esses sentimentos vividos? Imortalizou-os. E, dessa maneira, volto à pergunta inicial: Shakespeare seria Shakespeare se não fosse tudo aquilo de que abdicou e todos os momentos em que não esteve presente? Hamnet é um filme que te atravessa e te faz pensar. Com uma atuação incrível de Jessie Buckley, que merecidamente lhe rendeu o Oscar de Melhor Atriz, e uma direção espetacular de Chloé Zhao, o filme vai muita além dessa crítica simplista, é um mergulho profundo e dolorido no maternar. É uma reflexão também em como arte prospera, conta histórias, homenageia.